O lado obscuro do chocolate: o trabalho infantil

Saber-se que a erradicação do trabalho infantil ao redor do mundo ainda é algo distante. Mesmo com a política global de término para o trabalho de crianças, é evidente que ainda há a exploração do trabalho daqueles que deveriam estar na escola, principalmente em regiões como os países do continente africano. Nesse contexto, as vastas plantações de cacau, que estão presentes em países como a Costa do Marfim e são matéria prima para o chocolate de empresas famosas entram para o obscuro lado do trabalho infantil no mundo.

cacauTal verificação foi realizada por um jornalista dinamarquês, Miki Mistrati, o qual investigou a fundo o trabalho infantil das plantações de cacau da África Ocidental. Em sua investigação no país com maior produção de cacau mundial, a Costa do Marfim, com cerca de 42% de todo o cacau produzido globalmente, Mistrati registrou por intermédio de câmeras escondidas o tráfico de crianças de outros locais para o trabalho naquele país, bem como as condições miseráveis de trabalho forçado delas no país africano.

trabalho infantilAs crianças possuem de 10 a 12 anos e devem realizar tarefas árduas, tais como carregar sacos de grãos de cacau muito acima daquilo que poderiam aguentar, além de colher e manipular objetos que podem ser perigosos a elas, tais como facas. Outro triste detalhe do trabalho nas plantações de cacau são as agressões frequentes a essas crianças, com chicotes, murros, cintos e inúmeras outras formas de agressão. O salário é ínfimo e muitas vezes não há recebimento de nenhum ganho, mesmo com jornadas de trabalho de aproximadamente 100 horas por semana.

fdaO pior de tudo isso, sem dúvida, é quem financia tudo isso: as empresas multinacionais do ramo do chocolate. Nestlè, Mars, Barry Calleubat, Hershey, Godiva, ADM Cocoa, Kraft e Fowler’s Chocolate já foram indiciadas pelo uso de mão de obra infantil para a aquisição de cacau. Em 2001, a FDA, órgão americano que é responsável pelo controle de alimentos no país, tentou a aprovação de um projeto pelo qual as empresas deveriam obrigatoriamente demonstrar que não utilizaram quaisquer produtos frutos do trabalho infantil até o ano de 2008. No entanto, após inúmeras manobras, esse prazo foi alterado para 2020, mas ainda não uma verdadeira meta e algo real para essa erradicação ocorrer.

cacau trabalho infantilEnquanto isso, o trabalho infantil na indústria do cacau só tende a aumentar: de 2009 a 2014 o número de crianças envolvidas nas plantações africanas aumentou em 51%, segundo um relatório de uma universidade de Nova Orleans. O lucro das empresas de chocolate também só fez aumentar nos últimos tempos, mesmo sem a mínima preocupação com a trágica situação das crianças africanas. Empresas líderes de um ramo tão singular poderiam dar o exemplo para que não só o trabalho infantil fosse extinto por todo o mundo, mas que ele nunca fosse nem sequer pensado pelas próximas gerações.

Para quem deseja saber mais sobre toda essa problemática do chocolate produzido nas terras marfinenses e suas correlações com o trabalho infantil, a história completa é contada no documentário do premiado jornalista dinamarquês Miki Mistrati, que está no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=LOp-EbZltD4

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