Será que o chocolate vicia mesmo?

Você já ouviu aquela história de que a maioria das coisas que começam com a letra C vicia? Chocolate, café, cigarro… muitos outros elementos com a letra C ao início apresentam a má fama de tornarem-se algo compulsivo para a maioria das pessoas. O chocolate, essa dádiva, pode ser considerado um elemento a ser um vício para muitas pessoas. Há casos de indivíduos que não conseguem ficar sem aquele bombom diário ou semanal. Alguns até sentem dores de cabeça. Mas será que isso é uma compulsão ou o simples desejos de se deleitar no cacau?

chocolatra-2Para você que ficou preocupado se apresenta o vício de comer chocolate, a resposta é que sim, o chocolate pode ser capaz de viciar. Uma substância presente no chocolate, a teobromina, atua diretamente na região do sistema límbico, o qual ativa a produção de serotonina, o “hormônio da felicidade” o qual, em altas taxas no organismo, provoca reações como felicidade extrema, relaxamento e com energia. Pelo contrário, com baixas taxas de serotonina, há uma forte tendência à tristeza, a ficar irritado e até quadros de depressão e doenças psiquiátricas.

Além disso, o chocolate ativa as mesmas regiões cerebrais que também são ativadas com o uso de drogas, como a cocaína. Essas regiões são locais onde funciona a regra da recompensa, o que torna as pessoas dependentes do uso de chocolates, por exemplo. O não consumo da dádiva do cacau pode ocasionar dores de cabeça e outros problemas já citados anteriormente. Você já pensou que poderia ser chantageado por causa de um bombom?

O chocolate é tão eficiente em viciar que até os registros históricos comprovam o poder de chocolate em viciar, comparando-o até a forças malignas. No século XVI, por exemplo, os padres jesuítas escreveram que a conhecida bebida feita de cacau produzida e consumida pelos indígenas era algo “do demônio”, já que eles não paravam de consumir, era algo incontrolável. Já pensou se o pessoal dessa época prova as delícias que temos hoje em dia?

 

É bom salientar também que os riscos para um consumo descontrolado de chocolate não são apenas a dor de cabeça e a tristeza. Sempre é interessante lembrar que os chocolates possuem alta taxa calórica e podem levar, em consumos exagerados, à obesidade e a doenças cardiovasculares (que em pequenas quantidades o chocolate inibe, lembra?) e diabetes.  Portanto, lembre-se sempre de evitar o consumo exagerado.

Ou seja, você pode ser um “quase viciado” (no bom sentido, de ao menos 2x na semana), mas não ao ponto de tornar o chocolate seu inimigo. Ele pode ser seu companheiro diário, tal como para muitos o arroz e o feijão são. Mas sempre com cuidado. Aquele pedaço da barrinha depois do almoço, só para “adoçar a boca” pode ser uma solução. É difícil de se controlar com muitas das delícias possíveis, mas melhor do que isso é poder ingerir por muito tempo e com uma boa saúde. E aquela dica bem clichê: tenha uma dieta balanceada e não deixe o chocolate ser um vício do mal. Tudo de muito é veneno.

Inclusive as dádivas.

 

De onde vem o melhor chocolate do mundo?

Além do queijo, a Suíça apresenta uma grande fama quando o assunto é chocolate. Se pensou em bom chocolate, o nome dos suíços é sempre lembrado como algo diferente, acima do patamar de outros países. No entanto, os especialistas em chocolate são mais abrangentes em definir quem produz o melhor chocolate: além da Suíça, incluem também a França e a Bélgica como melhores produtores da dádiva do cacau. Difícil mesmo é saber quem ganha na disputa de melhor produtor de chocolate.

 

Os alpes suíços não produzem cacau. Porém, a Suíça possui a maior quantidade de chocolate consumida per capita no mundo. Além disso, possui em seu território marcas muito famosas no quesito de chocolate: Lindt, Nestlé e Suchard y Toblerone. Essas marcas possuem uma longa história: os pioneiros da produção de chocolate na Europa, como François Louis Cailler, Phillipe Suchard, Henri Nestlé e Rodolphe Lindt trouxeram inovações jamais vistas no território europeu: Cailler fundou a primeira fábrica de chocolate no ano de 1819; Lindt inventou a chamada “caracola”, uma máquina que arejava a massa enquanto a fazia ficar circulando; Daniel Peter inventou o chocolate ao leite.

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Além disso, o chocolate suíço é sempre muito voltado à exportação. Do período do século XIX até a I Guerra mundial, a produção era quase toda voltada para outros países. A partir da II guerra mundial, a Suíça começou a realizar sua produção em outros países, abrindo filiais de suas empresas neles, por conta de embargos comerciais. Então, a fama do chocolate suíço é explicada muito mais pela sua abrangência, que é mundial, do que ao seu sabor, que apresenta concorrentes fortíssimos, como a Bélgica e a França.

O chocolate belga é considerado, por muitos, o melhor chocolate do mundo. Assim como na Suíça, as sementes de cacau já são muito bem selecionadas, vindo de países como o Equador e São Tomé e Príncipe. Após a chegada na Bélgica, o que faz o chocolate belga ser diferente é o modo de processamento do cacau e da massa de chocolate. Há uma lei que determina que, para um produto ser denominado chocolate, ele precisa de uma porcentagem mínima de 35% de chocolate puro. Além disso, o chocolate deve ser triturado até 15 ou 18 microns, que equivalem a 1 milésimo de milímetro, o que faz com que o chocolate derreta na boca mesmo sem nenhuma granulação. Por fim, 70% das barras de chocolate belga é de massa de cacau, possibilitando um sabor único.

O último tipo de chocolate famoso mundialmente é o chocolate francês. Nesse país há uma restrição peculiar: é proibido o uso de qualquer gordura, seja ela animal ou vegetal no chocolate: somente a pura manteiga de cacau. Além disso, os chocolates devem conter o licor de cacau, em uma concentração aproximada de 43% e um mínimo de 26% de manteiga de cacau pura. Isso provoca uma raridade no sabor do chocolate francês, possibilitando sabores originais e de altíssima qualidade. No entanto, o chocolate francês é mais difícil de ser encontrado, já que as vendas são realizadas em lojas da cidade luz, Paris, além de Tóquio, Londres e Nova York.

 

Chocolate branco não é chocolate?

Para todos aqueles que gostam do chocolate da cor de neve, uma péssima notícia: o chocolate branco não é um bom amigo da saúde. Ao contrário do chocolate amargo, que possui muitos benefícios para o organismo, o chocolate branco apresenta um excesso de gordura e a ausência da massa de cacau, que traz os benefícios cardiovasculares e antioxidantes do chocolate amargo. Mas será que podemos chamar o chocolate branco de chocolate?

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Um determinado chocolate é assim denominado pelo fato de apresentar o cacau em sua composição. Na produção do chocolate, o cacau prensado segue dois caminhos: a massa do cacau, que é a parte sólida, que compõe o chocolate preto e a parte da gordura, que é a manteiga do cacau, a qual constitui-se de gordura, açúcar e leite. E é esta última parte que compõe o chocolate branco e, por isso, o chocolate branco é mais doce e também mais maléfico à saúde, já que não apresenta a parte sólida do cacau, a qual apresenta substâncias benéficas ao coração e outras partes do coração.

Então, o que pode ser considerado o chocolate branco? Apesar da estrutura semelhante ao chocolate normal, o chocolate branco é um outro tipo de doce, com um sabor característico (e muito bom, por sinal!). Em termos calóricos, o chocolate preto possui 150 calorias a cada 30 g, ou seja, cerca de 4 quadradinhos do tablete maior e o chocolate branco possui 164 g a cada 30 g, na mesma proporção, o que mostra que ambos são muito calóricos, mas o chocolate branco ganha nas calorias e, ainda por cima, perde na presença de substâncias antioxidantes, como os flavonoides, presentes no chocolate preto, que são importantíssimos na prevenção do câncer e do envelhecimento precoce, além da ausência de elementos como o ferro e o magnésio, o qual a parte sólida do cacau é rica.

Mas calma! Não é porque o chocolate branco não apresenta o cacau e não pode ser chamado de chocolate que ele deve ser abolido da sua mesa e dos seus gostos! Ter moderação na hora de consumir pode fazer uma experiência incrível para o seu paladar, visto que o chocolate branco possui um sabor ímpar! Além disso, alguns chocolates com metade branco e metade preta são irresistíveis! O certo é estabelecer um limite diário ou até semanal para as delícias de neve ou misturados com outros tipos. Esse conselho também vale para qualquer tipo de chocolate: não é porque possuem bons ingredientes que os exageros devem ser cometidos!

E para você que gosta de um chocolate branco, mesmo ele não sendo chocolate, e de inúmeros outros tipos de chocolate, olha essa receita de mousse de chocolate, bem simples, que encontrei! Você usa chocolate meio amargo (que é excelente, por sinal) e o chocolate branco, gerando uma combinação maravilhosa! Só não vai exagerar e deixar a gordura do chocolate tomar conta das suas vontades! Quando fizer e se deliciar (com cautela), conta para a gente nos comentários o que achou dessa delícia!

Link para a receita do mousse: https://www.nestle.com.br/site/cozinha/receitas/Mousse_de_Chocolate_branco.aspx

Chocolate amargo: prazer e saúde

O chocolate é uma dádiva: cai bem em presentes, para dar uma “aliviada” na fome, como sobremesas, além de inúmeras outras coisas possíveis com esse ouro do cacau. Mas, além de ser delicioso, você sabia que o chocolate também pode fazer bem a sua saúde? Sim! O chocolate amargo, com 70% de cacau em sua composição (essa alta taxa de cacau mostra o porquê do nome amargo), além de ser muito bom, mostra-se como o amigo da saúde, ajudando na circulação e evitando doenças como o AVC  e o Diabetes.

Deu água na boca, não?

Pois bem, vamos aos fatos: Pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, EUA, avaliaram 31 voluntários com uma duríssima missão: comer 50 gramas de chocolate diariamente durante 15 dias. No entanto, grupos foram divididos para consumirem diferentes tipos de chocolate e um desses grupos comeria o nosso querido chocolate amargo, enquanto outros consumiram chocolate branco e outros tipos. Vale lembrar que a glicemia, a pressão sanguínea e a taxa de lipídios no corpo de cada paciente foram medidas ao início e ao final da ingestão da iguaria. Resultado: naqueles que consumiram chocolate amargo, a glicemia (taxa de glicose no sangue) e o colesterol ruim, o LDL, apresentaram expressiva diminuição e o colesterol bom, o HDL, apresentou alta! E o que isso significa: a diminuição da ocorrência de doenças cardiovasculares, pois o LDL é um dos fatores primordiais para a formação das placas de gordura nas paredes das artérias, que causam a obstrução do fluxo sanguíneo ou a formação dos trombos, que podem acarretar disfunções e até a morte.

Além de saboroso, faz bem!

E não para por aí! Além de contribuir para a diminuição de taxas indesejáveis e aumento das desejáveis, o chocolate amargo diminui os riscos de câncer e protege o cérebro! Isso é explicado pelas altas quantidades de pó de amêndoa de cacau, que é rico em flavonoides. Os flavonoides, como a epicatequina, são poderosos antioxidantes que evitam a formação dos temidos radicais livres no organismo. Além disso, o chocolate amargo possui pequenas quantidades de açúcar e gorduras, sendo a melhor opção para a saúde!

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Além disso, o chocolate amargo possui boas taxas de nutrientes como o cromo, potássio, fósforo, magnésio, ferro, zinco e cafeína. A cafeína é um forte estimulante do sistema nervoso central, o que melhora elementos como a energia, o estado de “estar bem” e a concentração, tornando a pessoa mais “ligada”. O magnésio é vital para o correto funcionamento do sistema muscular e na constituição das sinapses, enquanto o ferro é importante para prevenir doenças como a anemia.

Mas é bom sempre lembrar que tudo que é bom engorda, não é? Pois então, o recomendado é de até 30g de chocolate por dia, pois o chocolate engorda! Apesar de todos os benefícios, sempre é bom usar a moderação para apresentar os melhores benefícios. Além disso, a ingestão de chocolate por pessoas com diabetes e com sobrepeso não é recomendada, visto que os componentes do chocolate compõem ainda uma boa parte calórica.

Para consumir com o chocolate amargo, nada melhor que outros produtos com flavonoides, como algumas frutas vermelhas e roxas, que aumentarão ainda mais a ingestão de antioxidantes de uma forma não tão calórica. Ademais, a ingestão do chocolate amargo com banana proporciona uma sensação de bem-estar inigualável, pois ambos contém o triptofano, elemento principal da serotonina, o elemento do prazer!

Bônus!

Receita de Mousse de chocolate amargo: https://www.youtube.com/watch?v=n_bAspb017o

 

Chocolates, do Light ao Zero Lactose. Qual o melhor?

Muito se fala atualmente sobre os malefícios da lactose, e, com isso, vários produtos sem esse nutriente foram surgindo no mercado. Além do zero lactose, também tem o chocolate diet, o light, o puro cacau, entre outros, sendo que, de vez em quando, cria-se uma teoria de emagrecimento em torno desses “chocolates especiais”, talvez por questões até publicitárias mas será mesmo que todos ajudam nisso?

Chocolate Diet

Totalmente isento de açúcar, é uma ótima opção para os que sofrem de diabetes. Opa! Se não tem açúcar então deve emagrecer também, não? Não exatamente, pois para o gosto ficar parecido, a quantidade de gorduras adicionadas acaba sendo maior ou equivalente à dos chocolates normais, igualando-se ou até tendo um valor energético (calorias) maior.

Chocolate Light

Teoricamente, é reduzido em pelo menos 25% do teor de calorias em relação ao chocolate normal, por conta da diminuição da quantidade de açúcar ou gordura, por exemplo, sendo mais vantajoso para quem quer degustar sem muito peso na consciência, mas não para diabéticos, pois ainda assim contém açúcar. Vale sempre a pena, no entanto,  consultar a tabela nutricional, para saber qual foi o nutriente energético que foi reduzido e em qual porcentagem, já que muitas marcas fazem uma propaganda enganosa.

Chocolate ZERO Lactose

Quem tem intolerância à lactose ou quem é vegano, pode comer tranquilamente este chocolate, mas, novamente, não é um chocolate para o emagrecimento, já que zero lactose não significa zero gordura ou zero açúcar.

Chocolate Meio Amargo

Quase sempre, quanto maior a porcentagem de cacau, melhor! Os chocolates meio amargo costumam ter esse teor de cacau mais acentuado e, consequentemente, menos açúcar e gorduras. Além disso, previnem problemas como hipertensão, colesterol alto, doenças do coração e até ajudam no retardamento do envelhecimento. É o mais indicado pelos nutricionistas e endocrinologistas, mas sem exageros, claro (na TPM pode!)

Chocolate de Soja

100% vegetal, sem lactose e glúten (podendo ser considerado um dos “chocolates ZERO”), boa opção para celíacos, diabéticos e alérgicos a lactose.

DICA: A alfarroba é uma vagem de baixo valor energético e que, ao ser torrada e moída, pode substituir o cacau. O gosto fica bastante parecido, e é muito interessante para quem sente vontade de chocolate em dias que gostaria de não comer.